quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sistemas Abertos e a Organização da Vida

O advento da Sociedade de Crescimento Industrial e da ciência moderna se deram concomitantemente, sob o olhar das teorias de René Descartes e Francis Bacon que tiraram o foco da visão orgânica e holística da estruturação da vida para uma visão mecânica e analítica. Desta mudança na cosmovisão, o mundo passou a ser interpretado a partir de modelos que legitimam como ‘científico’, aqueles processos que podem ser descritos objetivamente e que são passíveis de controle por parte do observador. Observador e objeto separam-se em duas entidades distintas. Tal pensamento alavancou o desenvolvimento tecnológico, todavia não deu conta de explicar os processos de auto-renovação da vida.

Cada vez que a ciência pensava ter descoberto a menor estrutura que compunha a matéria, via-se esta menor ‘entidade’ se reduzindo ainda mais, e dissolvendo num aparente ‘nada’. Percebeu-se então que a realidade não era constituída de ‘coisas’ ou ‘substâncias’ e sim de ‘energias’ em dinâmicos relacionamentos entre si.


Os cientistas da vida adotaram então uma nova estratégia: começaram a olhar para o todo, ao invés das partes, para os processos, e não somente para as substâncias. Percebeu-se então que este ‘todo’ não se tratava de um conglomerado de coisas distintas coexistindo entre si, mas sim de ‘sistemas’ dinamicamente organizados, complexamente equilibrados, interdependentes em cada movimento, cada função, cada troca de energia e de informação – seja uma célula, um corpo, um ecossistema ou o planeta em si. Cada elemento faz parte de um padrão mais amplo, um padrão que se conecta e se desenvolve por meio de princípios discerníveis.


O biólogo austríaco Ludwig von Bertalanffy batizou tais princípios de ‘Teoria Geral dos Sistemas’ e suas teorias espalharam-se rapidamente pelo campo das ciências físicas, biológicas e sociais. O antropólogo Gregory Bateson chamou-a “a maior mordida no fruto da Árvore do Conhecimento em dois mil anos”.

 A auto-organização da vida
 


A alternância do foco das ‘entidades isoladas’ para os ‘relacionamentos dinâmicos’, conduziu os cientistas a uma descoberta muito especial: que a Natureza se organiza sozinha. Assim sendo, partindo desta percepção, dispuseram-se a compreender os princípios pelos quais se dá essa auto-organização. Descobriu-se que tais princípios ou ‘propriedades sistêmicas’ são extremamente elegantes em sua simplicidade e constância por todo o universo observável, dos sistemas sub-orgânicos aos biológicos, ecológicos, assim como dos sistemas mentais e sociais. As propriedades dos sistemas abertos que possibilitam que a variedade e a inteligência das formas de vida surjam das correntes interativas de matéria e energia são (até o presente momento) quatro:

 

1. Todo sistema, do átomo à galáxia, é uma totalidade, e não pode ser reduzido a seus componentes. Sua natureza e capacidade distintas derivam dos relacionamentos interativos de suas partes. É um jogo ‘sinérgico’ gerando sempre ‘propriedades emergentes’ e novas possibilidades que não podem ser previstas a partir do caráter de suas partes – assim como a natureza úmida da água não pode ser predita a partir do oxigênio e do hidrogênio antes de se combinarem.



2. Graças às constantes interações entre ‘matéria-energia’ e ‘informação’ os sistemas abertos conseguem manter seu equilíbrio – eles se auto-estabilizam. Bertalanffy chamou essa capacidade de ‘fluxo/equilíbrio’. Por meio destas interações de adaptabilidade os sistemas podem se auto-regular para compensar condições cambiáveis em seu ambiente. Essa função homeostática é realizada pelo registro/acompanhamento dos efeitos de seu próprio comportamento, ajustando-o às normas particulares deste ambiente. É uma função de ‘feedback de redução do desvio’ – por meio deste sistema, mantemos a temperatura do corpo ou curamo-nos de um ferimento.



3. Sistemas abertos, além de manter o equilíbrio em meio ao fluxo, evoluem em meio a sua complexidade. Quando um desafio imposto pelo ambiente persiste, o sistema pode se adaptar ou desmontar, reorganizando-se em torno de novas normas, capazes de reagir melhor às novas condições. É um ‘feedback de ampliação do desvio’. Por meio deste sistema, evoluímos desde a ameba até aqui. Todavia, se nossas mudanças não forem compatíveis com as mudanças no sistema, este pode entrar em colapso.



4. Todo sistema é um ‘holon’ – ou seja, é tanto algo inteiro em si mesmo, compreendido por subsistemas, como é simultaneamente parte integral de um sistema maior. Logo, os holons formam ‘hierarquias aninhadas’, sistema dentro de sistema, circuito dentro de circuito, campo dentro de campo. Cada nível holônico – digamos, do átomo para a molécula, da célula para o órgão, da pessoa para a família – gera propriedades emergentes que não se reduzem às capacidades dos componentes separados. Bem diferente das hierarquias de controlo conhecidas das sociedades nas quais as regras são impostas de cima para baixo, nas hierarquias aninhadas (holonarquias) a ordem tende a vir de baixo para cima; o sistema se gera sozinho a partir da cooperação adaptativa e espontânea entre as partes, em benefício recíproco. Ordem e cooperação andam de mãos dadas, e os componentes se diversificam coordenando papéis e inventando novas respostas.


Na compreensão da teoria geral dos sistemas, surge o eco de um sentido de ‘Eu-Ecológico’, que transcende o ‘Eu-Antropocêntrico’, cindido e separado do todo. O discurso “Estou protegendo a floresta tropical” transforma-se em “Sou a floresta tropical que acabou de desfrutar deste pensamento” – uma capacidade de auto-percepção mais ampliada, empática e dinâmica no que concerne agir a favor da vida na Terra: de sua própria vida na Terra!! E que alívio sentimos, então! Acabaram-se milhares de anos de separação imaginária e começamos a recordar de nossa verdadeira natureza. Ou seja, a mudança é espiritual, às vezes chamada ecologia profunda.”

(Itálico de John Seed - Ecopsicólogo Norte Americano)


Organizado por: Rogério Meggiolaro – Satyavan


rogeriomgs@gmail.com


http://www.neohumanismo.org/

A Grande Virada

Vivemos um momento fantástico da história da Terra. O intelecto humano foi capaz de desenvolver nestes últimos 2 séculos, mais tecnologia do que em todos os outros milênios de jornada no planeta somados em um todo. Muito do que surgiu na mente humana a tempos atrás como remota ficção, hoje se tornou realidade: a capacidade de viajar pelo espaço; de acessar esconderijos do corpo com sondas capazes de filmar e fotografar a fisiologia humana; telescópios e microscópios de superpotência desvendando os mistérios da origem da vida no Universo; fontes de energia das mais diversas naturezas.

Concomitantemente, testemunhamos a destruição da vida em dimensões que nossos ancestrais jamais vislumbraram na história. É claro que houveram momentos críticos de destruição, como na construção de antigos impérios e em grandes guerras do passado, em tempos de pragas, pestes e fome; no entanto, nunca a vida na terra esteve ameaçada em escala global, pondo em risco até mesmo o plâncton que produz o oxigênio dos mares.

A questão é que, para atingir seus fins comerciais e mercantilistas, nossa atual civilização humana não mensurou o impacto dos meios pelos quais se valeu para trazer à tona tamanho ‘desenvolvimento’. O ecofilósofo norueguês, Sigmund Kwaloy, nomeou este período histórico no qual vivemos de ‘Sociedade de Crescimento Industrial'. Dentro desta perspectiva, a Terra é tida como uma grande fonte matéria prima para a produção de bens de consumo, e ao mesmo tempo como um depositário de todos os excedentes residuais desta produção. O corpo do planeta é escavado e transformado em mercadorias vendáveis e envenenado com subprodutos industriais. 

Agravando o cenário, a crescente explosão demográfica mundial demanda cada vez mais produtos industrializados, uma vez que a maior parte da população habita centros urbanos e se ocupa com trabalhos que geram recursos financeiros, ao invés de produtos que garantam a subsistência dos indivíduos e suas famílias. Os recursos naturais utilizados para suprir estas necessidades em larga escala não são renováveis, o que implica num desgaste irreparável do corpo de Gaia.


Opção por um mundo sustentável


É o momento de fazermos uma escolha, pois chegamos a uma encruzilhada de nossa marcha pela história na qual temos que optar entre a vida ou morte de nossa espécie sobre este planeta. Contamos com conhecimento científico e recursos tecnológicos suficientes para mudarmos o paradigma da ‘Sociedade de Crescimento Industrial’ pela máxima de uma ‘Sociedade de Sustentação da Vida’. O movimento em direção a esta mudança tem sido chamado por ecologistas de todo o mundo de ‘A Grande Virada’, e é dividida em três esferas de ação:


1. Ações em defesa da vida na Terra


São as atividades mais ‘visíveis’ da Grande Virada. Incluem todo o trabalho político, legislativo e jurídico necessário para reduzir a destruição, bem como ações diretas – bloqueios, boicotes, desobediência civil e outras formas de protesto. É a estância mais exaustiva do processo, um trabalho heróico, sob os holofotes da mídia, ameaças e agressões contra ativistas, falta de verbas, batalhas judiciais perdidas, etc. Este trabalho nos ajuda a ganhar tempo, salva algumas vidas e alguns ecossistemas, espécies e culturas... mas não é suficiente para fazer com que a nova sociedade surja.




2. Análises de causas estruturais e criação de instituições alternativas


Precisamos compreender claramente as dinâmicas da Sociedade de Crescimento Industrial para que possamos elaborar estratégias viáveis para substituí-la pela Sociedade de Sustentação da Vida. Nesta esfera de ação, trazemos ao conhecimento público - por meio de palestras, workshops, seminários - os mecanismos que permeiam os bastidores da economia global, desmistificando as crenças que sustentam estes paradigmas de consumo desenfreado e oferecendo informações sobre seu real impacto sobre o planeta e as futuras gerações. Afinal de contas, é a própria população quem sustenta este mercantilismo e ela mesma é quem pode dar conta de o transformar, a partir de um sistema educativo que apresente soluções práticas que possam ser suplantadas para a mudança da consciência global e dos hábitos de consumo.




3. Mudanças na percepção da realidade em termos cognitivos e espirituais


As novas instituições que vêm surgindo como fruto da Grande Virada só poderão subsistir se houver uma profunda mudança no modo como o senso comum percebe a realidade – seja a realidade num sentido ontológico assim como no sentido da percepção da totalidade que envolve cada ser. Muitos ‘insights’ desta percepção tem contribuído para a abertura consciencial de inúmeras pessoas e até mesmo de organizações. Teorias como a física quântica, a astrofísica e a teoria dos sistemas vivos que hoje permeiam as ciências, a filosofia e as artes têm contribuído para que a mente humana avance além dos paradigmáticos preceitos materialistas e reducionistas construídos nos últimos dois séculos de descobertas científicas e da revolução industrial. Neste salto, o ser humano começa a retomar a percepção de si mesmo como parte de um Todo, a resgatar a sabedoria dos povos nativos, a mística das antigas religiões e as canções dos ancestrais que celebram a unidade sagrada do homem e da Natureza, lembrando que estar vivo é em si uma missão.

Chegamos a um período de confluência de três rios – a angústia por nosso mundo, os avanços científicos e os ensinamentos ancestrais – diz Joanna Macy, ecologista da Grande Virada – e bebemos desta água. Despertamos para aquilo que antes sabíamos: estamos vivos num planeta vivo, fonte de tudo o que somos e podemos realizar.

Organizado por Rogério Meggiolaro – Satyavan

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Os 11 princípios do espírito ecológio

1. A Fonte da Natureza é o espírito

2. A Natureza não é um acidente. Tem significado, significância e propóssito

3. Alguns aspectos da Natureza são invisíveis.

4. A Natureza é parte de um todo maior, além do tempo e do espaço.

5. A Beleza da Natureza tem valor intrínseco.


6. O que preserva a beleza e a harmonia da Natureza é bom. O que a destrói é ruim.

7. Todos os animais, plantas e paisagens são sagrados.

8. Todas as criaturas tem direitos iguais à auto-realização

9. O mundo interior é parte da Natureza.

10. Devemos celebrar a criação com música, dança, arte, poesia e contos.

11. A ciência é uma ferramenta indispensável para adquirir conhecimento da Natureza. Mas o "ciencismo" (a crença de que a ciência é a ÚNICA fonte de sabedoria) é uma filosofia perigosa e desvirtuada.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Princípios da Educação Neo-Humanista

São educados aqueles que aprenderam muito lembraram muito e fizeram uso de seu conhecimento na vida diária.
Ás suas virtudes eu chamo educação

P.R.Sarkar

A filosofia da educação reconhece, sobretudo a importância da aprendizagem do repeito e do amor. Isto se chama Neo-Humanismo. O Neo-Humanismo expande a filosofia implícita no humanismo para abranger com amor toda a criação e compreender a inter-relação de todas as coisas.

As crianças são estimuladas para que aprofundem e estendam sua preocupação não somente para o bem estar dos seres humanos, mas também para de outros seres vivos, por exemplo as plantas e os animais.As crianças veêm o universo como um todo integrado com todos os fenômenos correlacionados e interdependentes.

A educação Neo-Humanista baseia-se em 10 princípios que norteiam todo trabalho


1.Despertar a sede pelo conhecimento e o desenvolvimento de toda a personalidade humana:

A Educação Neo-Humanista se baseia na premissa de que as crianças possuem um desejo inato de aprender a desenvolver-se. O objetivo é despertar a sede de conhecimento que se encontra no interior delas. Reconhece que existe em cada criança uma gama enorme de potencialidades e crê que ela pode esforçar-se para alcançar algo de grandioso.

A educação Neo-Humanista facilita o desenvolvimento de todos os níveis da personalidade humana: físico mental e espiritual. Reconhece que cada criança evolui em seu própro rítmo, e procura satisfazer suas necessidades individuais.

2. A educação baseada na ética:

A ética é a essência do desenvolvimento moral da criança.Os valores morais são a base de indivíduo equilibrado e de uma sociedade harmoniosa. O Neo-Humanismo tem 10 conceitos éticos universais que são permanentemente incentivados:

- Não cometer danos;
- Veracidade;
- Não roubar;
- Amor Universal;
- Vida simples;
- Limpeza;
- Coração contente;
- Solidariedade;
- Leitura inspiradora;
- Meditação e auto-aperfeiçoamento

3. O despertar da consciência espiritual:

O pocesso de aprendizagem se enraíza na convicção de que o Universo é um todo integrado, dentro do qual se concebem as coisas. Isto fomenta um profundo sentimento de conecção consigo mesmo,e com os demais.Criando uma mudança de postura de vida mecânica e materialista para a totalidade e interdependência.

A apreciação espiritual significa um compromisso de cuidar toda a criação e de estimulr o desejo inato de saber "quem sou e qual é meu destino".

4. Enfoque integrador da aprendizagem:

Em lugar de dividir o conhecimento em disciplinas acadêmicas separadas, a educação Neo-humanista estimula a multidisciplinariedade. Educação significa muito mais do que acumulação de dados, é a experiência viva do mundo como uma totalidade dinâmica e interrelacionada.

5. Cultivo da estética em todas as disciplinas:

Na educação Neo-humanista a apreciação e a experiência estética se difundem em todos os aspectos da aprendizagem. O currículo inclui a exploração organizada para desenvolver a imaginação criativa. A sutil expressão de beleza na música, arte, literatura e outros eleva a vida humana e nutre uma consciência maior.

6. Valorização da cultura própria e a de outros lugares:

O Neo-humanismo reconhece a importância da cultura na formação da cidadania de uma pessoa .Enfatiza o ensino da língua e as tradições locais, mas também reconhece a beleza e a importância de todas as culturas. As crianças aprendem a valorizar as semelhanças e diversidades culturais.

7. Uma nova consciência do meio ambiente:

A educação ambiental desenvolve as habilidades e valores necessários para a administração responsável dos recuros do nosso planeta. Desta forma ajuda as crianças a desenvolverem uma íntima e viva relação com a rede viva que os rodeia.

8. O educador como exemplo

O papel do educador é de suma importância. Já que o ensino pelo exemplo é primordial, os professores devem personificar as qualidades mais nobres da humanidade. "O professor deve possuir qualidades tais como: força de caráter, retidão, espírito de serviço social, uma personalidade inspiradora, desinteresse e habilidades de liderança". (P.R.Sarkar)

9. O espírito de serviço

A educação Neo-humanista não considera a educação como passaporte ao prestígio, ao previlégio, mas como uma responsabilidade de servir aos demais. A arte, ciência e o conhecimento estão dedicados ao serviço e ao bem estar de todos.

10. Expansão da consciência e sentido de justiça:

A educação Neo-humanista estimula a participação ativa nas mudanças sociais positivas. Os estudantes necessitam desenvolver uma consciência social e um sentido de justiça, para dessa forma discernir as estratégias de manipulação e os sentimentos discriminatórios que causam sofrimento a todos os seres.


http://gts.amps.org/portoalegre/escolasnh/princips.htm

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Neo-Humanismo: em breves linhas


As várias vertentes do pensamento Humanista posicionaram ideologicamente o ser humano no pináculo da criação, desenvolvendo na psique coletiva um sentimento antropocêntrico de supremacia sobre todos os outros 'companheiros de jornada evolutiva' com quem compartilha a vida na Terra.

Este sentimento de superioridade causou ao longo das últimas décadas um desencadeamento de ações, atitudes e apropriações desastrosas para todas as formas de vida do planeta e suas reservas naturais, sem precedentes na história. O resultado destas ações é claramente documentado hoje nos relatos sobre o efeito do impacto humano no ecossistema, no clima e na desigualdade econômica dos aglomerados urbanos.

O Neo-Humanismo proposto pelo pensador indiano, Prabhat Rainjan Sarkar (1921-1990), surge não somente como uma resposta filosófica e educacional a este desastroso viés do comportamento de nossa espécie, mas como uma revolucionária ideologia de ações que visam diminuir o complexo de superioridade racial humano.


A essência do Neo-Humanismo descansa sobre a clara percepção da sacralidade de toda a expressão cósmica, seja ela animada ou inanimada. Através da Teoria Gaia, proposta pela biologia contemporânea e pelos estudos de ecologia profunda, compreendemos a Terra como um macro-organismo, composto de infindáveis micro-organismos e estes por sua vez, comportam outros milhares de micro-organismos. Estes micro-organismos estão muitas vezes inconscientes do macro-organismo que os comporta. Assim como as células não estão inteiramente cônscias da identidade, ou da personalidade por detrás do corpo que as transporta, muitos de nós, seres humanos, viajamos pelas veias e artérias de nossas cidades sem darmos conta do grande corpo ao qual habitamos e do impacto de nossas ações dentro desta grande estrutura.

Sendo a espécie de mente mais expandida neste planeta, a raça humana deve se mover para um despertar de consciência sobre sua identidade macro e micro cósmica, sobre sua localização temporal e espacial, sobre suas ações e sua inerente e subsequente responsabilidade em manter o bem estar de todas as formas de vida com as quais marcha, lado a lado, no caminho da evolução, garantindo a este imenso universo de belíssimas formas e cores um presente e um futuro brilhante e bem sucedido.

Texto por: Rogério Meggiolaro - rogeriomgs@gmail.com

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A Rede de Sensações e Afinidades

Os 53 sentidos naturais de sobrevivência listados abaixo conectam e equilibram a Natureza interna com a Natureza externa. Alguns dos sentidos são misteriosos para nós, mas como disse Albert Einstein: 


“A coisa mais bela que podemos experienciar é o misterioso. Ele é a fonte de toda verdadeira arte e ciência”.

Algumas sugestões antes de o leitor passar pela lista dos 53 Sentidos Naturais:

À primeira leitura pode haver um estranhamento em relação ao sentido de cada uma destas sensações da mente, portanto muitos desses sentidos devem ser lidos mais do que uma vez para se chegar a uma percepção mais interna e profunda de seu verdadeiro significado.

Quando houver a impressão de o termo estar se repetindo, procure compreender a categoria na qual ele aparece e a diferença do tipo de sentido referente ao modo de percepção do mesmo.


Alguns termos tem significados amplos e eliciam uma primeira associação mental de acordo com a cultura do leitor, seus credos e referências pessoais. Sugiro a observância de suas reações – sejam de afinidade ou repulsa – aos termos empregados, buscando chegar ao seu sentido mais essencial.


Rogério Meggiolaro


Os Sentidos de Radiação

01. Sentido de luz e visão, incluindo luz polarizada.

02. Sentido de ver sem os olhos, assim como heliotropismo ou o sentido de sol das plantas.

03. Sentido de cor.

04. Sentido de humores e identidades relacionados às cores.

05. Sentido de consciência da própria visibilidade ou invisibilidade e conseqüentemente de camuflagem.

06. Sensibilidade à radiações outras além da luz visível, incluindo ondas de radio, raio-x, etc.

07. Sentido de temperatura e mudança de temperatura.

08. Sentido de estação, incluindo a habilidade de isolamento, hibernação e sono hibernal.

09. Sentido eletromagnético e polaridade, incluindo a habilidade de gerar corrente (como no sistema nervoso e nas ondas mentais) ou outras energias.


O Sentidos de Sentimento/Sensibilidade

10. Audição, incluindo ressonância, vibrações, sonar e freqüências ultrasônicas.

11. Consciência de pressão, particularmente sob a terra, a água e ao vento e ar.

12. Sensibilidade a gravidade.

13. O sentido de excreção para a eliminação de dejetos e proteção contra inimigos.

14. Tato, particularmente ao toque na pele.

15. Sentido de peso, gravidade e equilíbrio.

16. Sentido de espaço e proximidade.

17. Senso de Coriolus, ou consciência dos efeitos da rotação da terra.

18. Sensações de movimento corporal e senso de mobilidade.


Os Sentidos Químicos

19. Cheiro, com e além do nariz.

20. Sabor, com e além da língua.

21. Apetite e fome.

22. Caçar, matar ou impulsos de obtenção de alimento.

23. Senso de umidade, incluindo a sede, controle da evaporação e a perspicácia para achar água ou fugir de enchente.

24. Sentido hormonal, como ao feromônio*


Os Sentidos Mentais

25. Dor, externa ou interna.

26. Estafa mental ou espiritual.

27. Sentido de medo, temor ao ferimento, morte ou ataque.

28. Impulsos procriativos, incluindo consciência de sexo, galanteamento, amor, copulação, paternidade e criação de crianças.

29. Senso de jogo, esporte, humor, prazer e risada.

30. Sentido de localização física, senso de navegação, incluindo uma detalhada consciência do território terrestre e aquático, da posição do sol, lua e estrelas.

31. Senso de tempo.

32. Sentido de campos eletromagnéticos.

33. Sentido de mudança de clima.

34. Sentido de emotividade a local, comunidade, à pertencer, apoio, confiança e gratidão.

35. Sentido de eu/self, incluindo amizade, companheirismo e poder.

36. Senso territorial e de dominação.

37. Sentido de colonização, incluindo consciência receptiva às criaturas companheiras de outrem, algumas vezes ao grau de ser absorvido dentro de um superorganismo.

38. Senso de horticultura e a habilidade de cultivar plantações, como feito pelas formigas que cultivam fungos, por fungos que cultivam algas, ou pássaros que usam alimentos para atrair presas.

39. Língua e senso de articulação, usado para expressar sentimento e transmitir informação em qualquer meio, desde a danças das abelhas à literatura humana.

40. Sentido de humildade, apreciação, ética.

41. Senso de forma e design.

42. Elucubração, incluindo memória e a capacidade para lógica e ciência.

43. Sentido de mente e consciência.

44. Intuição ou dedução subconsciente.

45. Senso estético, incluindo criatividade e apreciação da beleza, musica, literatura, forma, design ou interpretação cênica.

46. Capacidades psíquicas como premonição, clarividência, psicocinése, projeção astral e possivelmente certos instintos animais e sensibilidade de plantas.

47. Senso de tempo biológico e astral, consciência de evento passado, presente e futuro.

48. A capacidade de hipnotizar outras criaturas.

49. Relaxamento e sono, incluindo sonho, meditação, consciência das ondas mentais.

50. Senso de pupação, incluindo construção de casulo e metamorfose.

51. Sentido de estresse excessivo e capitulação.

52. Sentido de sobrevivência pela união a um organismo mais estável.

53. Sentido espiritual, incluindo consciência, capacidade ao amor sublime, êxtase, senso de pecado, profundo pesar e sacrifício. 



*A pheromone is a chemical that triggers a natural behavioral response in another member of the same species. There are alarm pheromones, food trail pheromones, sex pheromones, and many others that affect behavior or physiology. Their use among insects has been particularly well documented, although many vertebrates and plants also communicate using pheromones

Ecologia & Psicologia: Ecopsicologia

Em seu livro, "Wel Mind, Well Earth" o psicólogo e ecologista Michael J. Cohen afirma que o mundo natural é 'uma outra civilização como a nossa', que ‘cada um de nós é parte da civilizada e sempre mutante perfeição da natureza', e ressalta que, pessoalmente, socialmente e ambientalmente, grande parte de nossos problemas resultam de diferenças entre o processo que o ambiente natural e nós usamos para construir nossas relações. Nossa lógica enfatiza educar para pensarmos e relacionarmo-nos através do uso da linguagem - palavras abstratas, símbolos e imagens - enquanto que o mundo natural alcança sua perfeição através da atração de energias, uma comunicação não lingüística. Esta diferença é o que nos desconecta das tendências naturais, tanto dentro de nós, como ao nosso redor. Isso nos impede de desfrutarmos da sabedoria, equilíbrio e paz inerentes na natureza.


Nós nunca iremos ensinar o mundo natural a falar português e assim nos revelar seus segredos. A fim de aprender como a natureza funciona, Cohen desenvolveu técnicas não-verbais e sensoriais de conexão com a vida natural.


Através da estimulação do pensamento crítico durante visitas a áreas naturais, seu método educacional capacita os visitantes à consciente e sensorialmente, reconectarem sua natureza interna ao mundo natural. Esta conexão permite à auto-organizável e regenerativa civilização natural funcionar dentro e entre indivíduos de qualquer idade, revertendo assim quadros de apatia, disfunções e dependências, motivando e direcionando de maneira responsável o gerenciamento do estresse e da auto-estima.


Não é um grande mistério a coerente integridade entre a natureza e nós mesmos. Como parte da malha da vida, nós, seres humanos, herdamos também esta integridade de forma congênita. Ela é nossa ‘natureza interior’, uma 'planta' compartilhada globalmente a que chamamos de 'a criança dentro de nós'. O verdadeiro segredo está em aprender a ler esta planta, analisá-la, reconectar-se a ela, validando sua integridade ao invés de aprender a vencê-la, como geralmente o fazemos. Ler a planta interior é uma possível definição para educação: 'Trazer de dentro para fora.' Esta leitura nos conecta com nossa origem mais comum e essencial, abrindo caminho para uma experiência de recomeço, para a criação conjunta de uma sociedade verdadeiramente civilizada, ao invés de tornar-nos ainda mais 'confusos', ou seja, descompassados em relação ao ritmo de toda a natureza.


A fim de promover experiências de reconexão entre a espécie humana e a vida natural, o departamento de 'ecopsicologia' da World Peace University apresentou um conjunto de atividades e ferramentas, que nasceram de experiências com algumas inquietações do homem contemporâneo, como a apatia, o estresse, a depressão e outras situações de desconforto psicológico.


Michael J. Cohen afirma que após muitos anos ensinando e vivendo na natureza acredita que educação responsável e aconselhamento podem ser melhor entendidos em termos de aprendizado multisensorial, e que todas as experiências consistem em sentir ou ressentir (rememorar) no momento presente sensações de atração natural, e seus graus de integração, cumprimento ou frustração. O aprendizado por livros se vale de quatro sentidos naturais: visão, linguagem, raciocínio e consciência. Entretanto, o mundo natural raramente alcança sua beleza e equilíbrio pelo uso de somente quatro sentidos, muito menos o faz através de livros, linguagem ou "tecno-logia", isto é, "pensamento lógico que cria técnicas e histórias artificiais". Em contra partida, o mundo natural funciona em termos "bio-lógicos". Biológico consiste em ser multisensorial, seguindo a atração natural de cada momento, que em nós aparecem por mais de 53 sentimentos e sensações naturais. Nossos sentimentos e sensações naturais são sinais muito antigos de memória, evoluídos globalmente. Uma multiplicidade de formas biológicas de conhecer, existir e sustentar a vida, que herdamos para nossa sobrevivência no planeta. Por exemplo, assim como a água é uma fonte natural de vida, igualmente natural é a nossa sede. Sede é um fato sensorial, um sentimento bio-lógico, uma memória única e inalterada que conecta a nós, animais terrestres, separados da água, com a sobrevivência e logo com a água. Em suma, a sede, assim como todas as nossas sensações naturais, tem uma razão de ser.


Pesquisas acadêmicas validam que psicologicamente e fisiologicamente, a natureza interior dos seres humanos consiste de uma variedade de sensações naturais. Pelo menos 53 sensações naturais foram identificadas nas pessoas. Entre estas, estão sentidos adicionais como cor, sede, linguagem, gosto, cheiro, excreção, pertencer a um grande todo, espaço, distância, forma, temperatura, tato... A sensação de cada sentido é única. Note especialmente que o raciocínio, a linguagem e a consciência são sentidos naturais que desempenham funções de sobrevivência na natureza. Note também, que de alguma forma, cada sensação permeia todo o mundo natural, incluindo nossa natureza interior.


As atividades propostas por esta abordagem têm por objetivo a descoberta, conscientização e exploração dos sentidos e sensações naturais do ser humano através de técnicas de sensibilização pelo contato reintegrativo com áreas verdes e outras entidades naturais. Nossa busca é auxiliar o homem no desenvolvimento de uma atitude consciente e responsável em sua relação com o meio ambiente, a qual emerge da percepção de si mesmo como sendo uma entidade não alheia e nem separada da natureza. Não somos, enquanto espécie, mais importantes para a vida do planeta do que uma planta, um peixe ou mesmo de uma bactéria. Nossa impressão de superioridade, enquanto sapiens sapiens, provém de um processo de desidentificação com a ordem natural do planeta, que existe em coesão. Esta atitude de nossa espécie está explícita na própria geografia das cidades nas quais nos concentramos, na artificialidade dos estímulos como cores, aromas, texturas e sabores, e no nosso ‘mundo à parte’, construído e organizado por nós mesmos, os seres humanos.
Somos, entretanto, ainda que não totalmente conscientes, entidades interdependentes, portadora de uma sabedoria auto-reguladora, legítima, congênita e compartilhada com toda a biosfera do Planeta Terra.




Rogério Meggiolaro – Instituto Neo-Humanista




Michael J. Cohen – A Field Guide to Connecting With Natures - World Peace University – Oregon, USA